quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Hugo Rodas

É um dos diretores teatrais que mais faz história no Brasil. Uruguaio de nascimento, mas brasiliense de coração, Hugo é professor do curso de Artes cênicas da UnB - Universidade Federal de Brasília, dramaturgo e ator. Vencedor de vários prêmios, hoje Hugo Rodas é referencia nacional no teatro. Para ele, sua arte é 'provocadora'. - "Minha função não é entreter, eu quero incomodar!"
* Diretor da peça "Adubo ou a sutil arte de escoar pelo ralo"

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Adubo

Luz baixa, velas brancas acesas, fumacinha no ar e som macabro. Em meio a isso, quatro pessoas e um único assunto: a morte. É assim que o grupo brasiliense TUCAN – Teatro Universitário Candango (DF) apresenta o espetáculo "Adubo ou a sutil arte de escoar pelo ralo".
A peça fez parte do projeto Palco Giratório e foi apresentada no último sábado, na Cidadela Cultural de Joinville. A direção é do uruguaio Hugo Rodas e o texto é fruto de um processo de pesquisa sobre o tema. Os atores buscaram textos, poemas, teses e tudo o que já foi escrito sobre a morte na literatura, medicina, religião e filosofia. A união e adaptação destes escritos geraram o roteiro.
No cenário, um grande quadro negro no fundo, uma pequena mesa com velas e garrafas num canto, banquetas, e alguns instrumentos musicais noutro canto. Os quatro personagens escrevem e desenham coisas no quadro durante a peça. Isso acontece inclusive no momento em que os espectadores entram no espaço cênico.
André Araújo, Juliano Cazarré, Pedro Martins e Rosanna Viegas passam por diversos personagens. Os atores mudam, imperceptivelmente, de um personagem para outro, trocam de cena, interagem com a platéia, voltam à algum personagem de outra cena e mesclam elementos de arte.
Entre piadinhas, coreografias, batuques e poemas, os 'candangos' conseguiram dar originalidade ao tema tão clichê. A morte é tratada sutil e despreocupadamente, sem medos ou barreiras. O espetáculo tem a dose certa de tudo. Só exagera em duas coisas: talento e beleza.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Whisky

- Digam 'Whisky'!
- Whiskyyyy.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Quatro menos três?

Uma jovem aluna chega à casa de seu novo professor particular e é recebida com o sorriso largo da criada. Ela pede para a aluna entrar e espera-lo. A sala tem duas cadeiras com rodas colocadas frente a frente sob uma luminária redonda que desce do teto para iluminar o centro dela. Num canto estão alguns livros e em outro alguns lápis.
Este é o cenário que guia a peça apresentada pela Companhia La trama: “A Lição”. Do dramaturgo criador do teatro do absurdo Eugène Ionesco, o espetáculo é formado por três personagens: o professor; a aluna (por Samantha Cohen) e a empregada (Juciara do Nascimento). Com tradução de Paulo Neves, “A Lição” é dirigida por Amarildo de Almeida e produzida pelo ator que interpreta o professor: Cristóvão Petry.
O roteiro conta a história de uma aluna que sonha entrar no curso de “Doutorado Total”, onde pretende se especializar em todas as áreas do conhecimento. Naturalmente, a dificuldade de passar é grande. Sendo assim, a aluna vai à procura de um professor que a ajude com os estudos. O professor, à principio, se mostra gentil e paciente com a menina. Mas sua calma se esvai à medida que a aluna responde a seus questionamentos.
Aos poucos, o professor começa a perder sua compostura e parte para uma batalha dura de ensinamentos, de modo à impressionar a aluna. Isto ocorre enquanto a moça começa a se sentir mal e a criada intervém algumas vezes advertindo-o sobre “o pior” que pode acontecer.
Tudo acontece numa atmosfera estranha de sensações variadas. O espetáculo também é múltiplo de leituras e entendimentos, questionando diferentes situações perenes da sociedade, sem espaço de tempo. Além de unir, belissimamente, o engraçado e o obscuro.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Peça "A Lição" é apresentada em Joinville

A companhia de teatro La trama estréia neste sábado, 23 de agosto, a peça "A Lição" do dramaturgo criador do "teatro do absurdo" Eugéne Ionesco. O espetáculo conta a história de um professor de aulas particulares numa tentativa de impressionar sua aluna. Traduzida por Paulo Neves e dirigida por Amarildo de Almeida, a peça será apresentada todos os sábados e domingos até o dia 7 de setembro, na Cidadela Cultural.

O quê: Espetáculo “A lição", do grupo teatral La trama.
Quando: 23, 24, 30 e 31 de agosto; 06 e 07 de setembro.
Horário: 20h.
Onde: Galpão de Teatro da AJOTE – Antarctica.
Quanto: R$ 10,00 (Professor, Estudante e pessoas acima de 60 anos pagam meia) à venda na Livraria Midas.
Informações: Cristóvão Petry - 47 9603 5584 - http://cristovaopetry.blogspot.com

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Nova temporada do Espetáculo Migrantes

A peça “Migrantes” do grupo Dionisos Teatro passa novamente pelo Juarez Machado esta semana. As apresentações começam hoje, dia 19, e vão até sexta-feira, dia 22. Todos os dias ás 20h.
O espetáculo conta histórias de pessoas que, devido à diferentes situações, vieram de outras cidades para morar em Joinville. No palco, os “migrantes” são representados por Andréia Malena Rocha, Clarice Steil Siewert, Eduardo Campos e Vinícius José Puhl Ferreira. A peça, dirigida por Silvestre Ferreira, conta com efeitos visuais projetados no palco além do áudio de pessoas contando suas histórias de migrante.
Além disso, há um momento de interação com a platéia onde o público se torna personagem contando também suas “experiências migratórias”. Essa proximidade do roteiro com seu público alvo e do público com os personagens é, sem dúvida, o ponto que marca a beleza do espetáculo. Há uma identificação unificada, uma lembrança conjunta e nostálgica de todos os que viveram tais circunstancias ou conhecem alguém que o fizera.
“Migrantes” é uma apresentação que todos os joinvilenses deveriam ver. Porque ao contrário de algumas peças que vêm de longe e que, além de não ter significado local, não têm conteúdo, Migrantes é um exemplo de espetáculo bem pensado e produzido. E o mais importante: é feito aqui para o público daqui.


O quê: Espetáculo “Migrantes”, do grupo teatral Dionisos.
Quando: 19, 20, 21 e 22 de agosto/2008.
Horário: 20h.
Onde: Teatro Juarez Machado, Avenida José Vieira, 315 – anexo ao Centreventos Cau hansen, Centro – Joinville/SC.Quanto: no local R$ 16,00 – antecipados na Livraria Midas R$ 12,00 (Pessoas acima de 60 anos e estudantes pagam meia)

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Melhor ficar calado, Zé!

Artificial. Essa sem dúvida era a palavra que definiria o ator global José de Abreu, na noite de ontem. A peça “Fala, Zé” estrelada por ele foi apresentada às 20h no Teatro Juarez Machado em Joinville. Nela, o ator se mostrou de forma plástica e com pouca naturalidade.
O texto assinado por Angel Palomero e Walter Daguerre conta uma história, que supostamente é do próprio ator, e a relaciona com alguns fatos históricos. O ponto de partida é a aparição do “Arcanjo Gabriel” (interpretado também por José) projetado num dos telões. Depois de uma rápida e desentendida conversa, o Anjo diz à José de Abreu que sua missão ali, naquela noite, era falar. E profetisa, então, a frase que dá nome à peça:
- Faaaala, Zé! Desencadeando o espetáculo com tal sentença, o personagem/ator começa a contar sua história de vida.
Cronologicamente, o monólogo passa por fatos importantes na história do Brasil e do mundo tais como: a ditadura militar; o movimento estudantil na década de 60; o movimento hippie e o cinema novo. Em meio a tais fases históricas aparecem personagens como Caetano Veloso, José Dirceu e Glauber Rocha, imitados também por José. Além disso, há fotos e filmagens de alguns momentos contados com projeções enquanto o ator troca de figurino.
O jeito plastificado que José atuou no palco não condisse com o imaginário do roteiro. Isso porque, na peça, o ator interpreta ele mesmo ou, ao menos, alguma coisa parecida com o “personagem dele mesmo”. Mais parecia um personagem atuando no papel de um personagem. Não um ator fazendo um personagem. Ou melhor: um ator fazendo o personagem mais natural que poderia ser feito que é o seu próprio personagem!
Deixando de lado a figura do ator, o espetáculo foi uma boa aula de história fazendo o público reviver momentos bons e relembrar coisas que até o “Zé” diz ser melhor esquecer. O enredo também, mesmo sendo comédia (e de ator da Globo), não era dos piores. O que estragou mesmo foi o “Zé” e seu desempenho inesperadamente A-R-T-I-F-I-C-I-A-L.